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IABr acredita que alta do minério levará a reajustes no preço do aço

Data: 29/07/2010
Fonte: O Globo

O Instituto Aço Brasil (IABr) acredita que o setor siderúrgico brasileiro terá que passar por um período de "aprendizado" em relação ao novo sistema de reajustes trimestrais para o minério de ferro e prevê que deverão ocorrer aumentos nos preços dos produtos por conta da pressão ocorrida com as elevações de até 100% do valor do minério de ferro, que juntamente com o carvão, representam 50% dos custos de fabricação de aço.

"Evidente que algum aumento terá que ocorrer. Em que momento e intensidade, não sabemos", frisou o presidente executivo do IABr, Marco Polo de Mello Lopes, que apresentou o balanço semestral da produção siderúrgica no país.

Segundo ele, o novo modelo de reajuste trimestral do minério de ferro, baseado nas cotações do mercado spot asiático, preocupa as siderúrgicas nacionais, que até então negociavam anualmente os novos patamares de preços e tinham negociações anuais também com seus clientes.

"Alguns falam em reajuste mensal (para o minério), com o qual não concordamos", disse Lopes. "Era impensável que fosse trimestral", acrescentou, ao ser questionado sobre a possibilidade de um reajuste mensal ser implementado.

O presidente executivo ressaltou ainda que os repasses para os produtos siderúrgicos foram mínimos e que novos impactos serão negociados bilateralmente entre as empresas e seus clientes.

Segundo Lopes, três empresas detêm cerca de 80% do mercado mundial de minério de ferro e que o sucesso em conseguir um reajuste trimestral de 100% no insumo mostra um certo "controle" do mercado global.

Questionado sobre a estimativa do Ministério de Minas e Energia de que a produção de aço no país atingirá 103 milhões de toneladas anuais em 2030, Lopes ponderou que o horizonte de tempo é muito extenso para fazer uma estimativa segura.

Oficialmente, o IABr trabalha com uma projeção de capacidade de 77 milhões de toneladas em 2016, o que demandaria investimentos de US$ 40 bilhões para acontecer.

De acordo com Lopes, a perspectiva engloba a atual capacidade de 42 milhões de toneladas das siderúrgicas nacionais, mais as expansões de 7 milhões de toneladas de capacidade das empresas já existentes no país, a construção de outros 7 milhões de toneladas de capacidade em novos empreendimentos já iniciados e a confirmação de novas usinas que ainda estão em estudos e preveem mais 21 milhões de toneladas.


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