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Produção de minério de ferro do Brasil deve dobrar até 2030

Data: 28/07/2010
Fonte: Reuters

A produção de minério de ferro no Brasil deverá mais que dobrar nos próximos 20 anos, de acordo com o Plano Mineral 2030, documento que está sendo elaborado pelo Ministério de Minas e Energia e será lançado na segunda metade agosto.

O estudo, que está em fase de revisão, aponta para uma produção de minério de ferro em 2030 de 1 bilhão de toneladas. Atualmente, a produção oscila entre 380 e 400 milhões de toneladas.

"Isso está muito associado à demanda da China. Depende de como a China vai andar até lá. Pode chegar a uma situação em que o investimento em infraestrutura na China vai se reduzir", afirmou o diretor da Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, Fernando Freitas Lins, durante evento no Rio.

O Plano estima em 2015 uma produção de 585 milhões de toneladas de minério e, em 2022, de 785 milhões de toneladas da matéria-prima do setor de aço.

Lins forneceu os dados durante palestra no Congresso da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração.

Segundo o estudo, as projeções levam em conta um crescimento mundial de 3,8 por cento e do Brasil de 5,1 por cento na média dos próximos anos.

Atualmente, boa parte da produção de minério da Vale, principal produtora nacional, tem como destino o mercado chinês.

"A previsão é que nos próximos anos a maior parte seja vendida para a China com proporções semelhantes às de hoje", acrescentou o diretor do Ministério de Minas e Energia.

O estudo sinaliza que em 2030 a produção de aço atinja 103 milhões de toneladas e, segundo Lins, serão consumidos para esse fim menos de 200 milhões de toneladas de minério de ferro. O restante teria como destino o mercado externo. "Em 2030, o consumo de aço no Brasil chega ao mesmo nível de um país europeu de nível mais baixo", destacou Lins.

Valor agregado

O diretor do MME alertou para a chamada primarização da economia brasileira que focou nos últimos anos a produção de matérias-primas em detrimento de bens de maior valor agregado.

O estudo do Ministério diz que no ano passado o país exportou 282 milhões de toneladas de minério de ferro e arrecadou 16 bilhões de dólares, mas 350 mil empregos foram gerados lá fora para transformar o minério em aço.

"Para cada milhão de toneladas de minério são necessários 100 empregos e para cada milhão de tonelada de aço se gera 2 mil empregos", frisou Lins.

O executivo ponderou que a estrutura tributária brasileira também não estimula o beneficiamento de bens ao passo que a Lei Kandir, que isenta exportações de primários de impostos como PIS, COFINS e ICMS, favorece a venda para o exterior de produtos não manufaturados.

"Não existe país desenvolvido ou de dimensões razoáveis sem agregação de valor. A primarização é algo que me preocupa. Tem que haver um esforço de induzir e incentivar mais a agregação de valor".


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