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Aços zincados
por imersão a quente versus aços pintados com tintas
líquidas
HORST W. REICHE(a)
Valor protetivo da camada de zinco
Os revestimentos de zinco oferecem uma tríplice
proteção ao metal-base:
- Um revestimento aderente e tenaz;
- Quando ocorre algum dano no recobrimento, de modo a deixar
a superfície do aço exposta, não surge a
corrosão, pois as partes descobertas ficam protegidas pelo
zinco;
- Quando a exposição à ação
da atmosfera é prolongada, a ponto de eliminar a película
protetora e a camada externa rica em zinco, as camadas intermediárias
de zinco-ferro continuam dando proteção.
- A excelente resistência à corrosão do zinco,
quando exposto a ambientes naturais como atmosfera e águas
naturais é a razão de sua vasta utilização.
O zinco é o metal mais utilizado em condições
de exposição atmosférica, usado tanto em forma
de chapas como em peças fundidas, mas sua aplicação
mais importante é como revestimento de proteção
contra a corrosão de estruturas de aço. Neste tipo
de aplicação, são utilizados aproximadamente
50% de todo zinco produzido mundialmente.(1) Quando o zinco é
exposto à atmosferas secas, forma- se gradualmente sobre
sua superfície uma camadade óxido de zinco (ZnO) que
atua como uma barreira muito efetiva contra a corrosão.
Uma vez formada esta barreira, a taxa de corrosão do zinco
torna-se praticamente desprezível. Em atmosferas limpas e
na presença de oxigênio, o gás carbônico
e de água, o produto de corrosão inicialmente formado
sobre o zinco é o hidróxido de zinco, que é
convertido em carbonatos de zinco ou em carbonatos básicos
de zinco, que são compostos insolúveis.
Se a atmosfera estiver contaminada com SO2, o hidróxido
de zinco é convertido em sulfato básico de zinco ao
passo que se estiver contaminada com cloreto, o hidróxido
de zinco é convertido em cloretos básicos de zinco.
Em ambos os casos, estes compostos são insolúveis
e formam uma barreira que protege contra a corrosão.(2)
O zinco é exposto a atmosferas mais do que qualquer outro
metal.(3)
Em atmosferas rurais e urbanas, expostos em condições
não-abrigadas, a taxa de corrosão normalmente é
linear com o tempo, já em condições abrigadas,
esta taxa decresce com o tempo.
Em ambiente marinhos, tanto em condições abrigadas
como não-abrigadas, existe uma tendência de diminuição
da taxa de corrosão com o tempo, sendo este efeito mais pronunciado
em condições abrigadas.
Em atmosfera industrial, a taxa de corrosão é altamente
dependente da concentração de dióxido de enxofre,
de modo que normalmente, verificam-se variações na
taxa de corrosão.
Assim, em períodos de elevada concentração
de dióxido de enxofre na atmosfera, tem-se altas taxas de
corrosão e vice-versa. Apesar desta diversificação
na dependência da taxa de corrosão de zinco, segundo
a literatura, acredita-se que os resultados obtidos com dois anos
de exposição já são suficientes para
estimar a taxa de corrosão média do zinco.
Por exemplo, se o revestimento de zinco possui espessura de camada
de aproximadamente 50 micrômetros e está exposto em
um ambiente, cuja taxa de corrosão média é
da ordem de 2 micrômetros/ano, pode-se estimar uma vida útil
da ordem de 25 anos para a camada de zinco.
Para melhor ilustrar a corrosividade ao aço zincado, apresenta-se
na Tabela I, a caracterização das atmosferas com base
na taxa de corrosão, conforme norma ISO 12944-2:1998 (E).
Tabela I

Outrossim, oportuno citar os resultados dos ensaios de exposição
de painéis de aço zincado, realizados pelo Instituto
de Pesquisas Tecnológicas do Estado de S. Paulo – IPT
(Laboratório de Corrosão e Tratamento de Superfície)(4),
que tiveram a duração de 12 anos nas atmosferas rural
e industrial e de 17 anos na atmosfera urbana, conforme critérios
recomendados pelas normas ISO 9223 e 9224, apontados nas Tabelas
II, III e IV.
Vê-se, então que os aços zincados por imersão
à quente apresentaram taxas de corrosão ligeiramente
decrescentes com o tempo nas atmosferas rural e urbana, e, praticamente
lineares na atmosfera industrial.
Tabela II

Tabela III

Tabela IV

Tabela III

Tabela V - Difusão de
cloreto de sódio em películas de tinta (mg/cm²/ano)

Aço pintado
Mecanismo de proteção
Existem basicamente três mecanismos de proteção:
barreira, inibição (passivação anódica)
e eletroquímico (proteção catódica).
Barreira: Colocação, entre o substrato
e o meio corrosivo, de uma película, a mais impermeável
possível, introduzindo-
se no sistema substrato-meio corrosivo uma altíssima resistência,
que abaixe a corrente de corrosão a níveis desprezíveis.
Sabe-se porém, como exemplificado na Tabela V(5), que todas
as películas são parcialmente permeáveis. Desse
modo, com o tempo, o eletrólito alcança a base, e
o processo corrosivo tem início.
Inibição – passivação
anódica: A passivação anódica
pode ser obtida se as tintas de fundo contiverem determinados pigmentos
inibidores que darão origem à formação
de uma camada passiva sobre a superfície do metal, impedindo
a sua passagem para a forma iônica, isto é, que sofra
corrosão.
Eletroquímica – proteção catódica:
O metal será protegido catodicamente se na tinta de fundo
for incluída uma quantidade suficiente de um metal mais negativo
como o zinco (~95%, quantidade satisfatória para que o substrato
contate as partículas de zinco).
Aspectos econômicos da pintura
De modo geral, dois tipos de custos são importantes na pintura
industrial: o custo inicial e o custo de manutenção
(retoques e repinturas).
Custo inicial
É aquele referente à primeira execução
deste serviço, e é, dado pela seguinte expressão:
Ci = Cl + Ct + Ca
Onde:
Ci = custo inicial por m²;
Cl = custo de limpeza por m²;
Ct = custo das tintas por m², para uma determinada espessura;
Ca = custo de aplicação por m².
Tabela VI

Custo de manutenção
O custo de manutenção de um esquema de pintura constitui-se
no somatório dos custos de retoques com os custos de repintura.
Custo acumulado e comparação entre custos
de esquemas de pintura
É obtido pelo somatório do custo inicial com os
custos de retoques e repinturas(6). Este custo, dividido pelo número
de anos previstos para o esquema de pintura, fornece o custo anual.
Na Tabela VI(7), apresentam-se exemplos comparativos entre esquemas
de pintura em diferentes ambientes corrosivos, destacando-se que
os valores constantes da tabela são baseados em dados práticos,
considerando- se tintas de boa qualidade, aplicação
adequada e
ausência de danos mecânicos.
a) Esquema convencional
- Limpeza da superfície
Inspeção
Limpeza com solvente
Limpeza mecânica St3 ou jateamento abrasivo
comercial Sa2;
- Tinta de fundo
Duas demãos de tinta alquídica com espessura
seca de 35 micrômetros por demão;
- Tinta de acabamento
Duas demãos de tinta alquídica brilhante na cor
indicada, com espessura de 30 micrômetros por
demão.
b) Esquema seminobre
- Limpeza da superfície
Inspeção
Limpeza com solvente
Jateamento abrasivo ao metal quase-branco
Sa 2½;
- Tinta de fundo
Duas demãos de tinta epoxi curada com poliamina,
com espessura seca de 35 micrômetros por
demão;
- Tinta de acabamento
Duas demãos de poliuretano alifático, com espessura
seca de 35 micrômetros por demão.
c) Esquema nobre
- Limpeza da superfície
Inspeção
Limpeza com solvente
Jateamento abrasivo ao metal quase-branco
Sa 2½;
- Tinta de fundo
Uma demão de tinta rica em zinco a base de
silicato de etila, com espessura seca de 65-75
micrômetros;
- Tinta intermediária
Uma demão de tinta epoxi com espessura seca de
35-45 micrômetros;
- Tinta de acabamento
Duas demãos de tinta epoxi alta espessura com
100 micrômetros película seca por demão, ou
duas demãos de tinta poliuretano alta espessura
com 60-70 micrômetros película seca por demão.
Custo comparativo
Na escolha de qualquer revestimento, deve ser levado em conta
sua vida útil, relacionada com o custo inicial e despesas
de manutenção.
No campo usual das aplicações, os produtos zincados
por imersão a quente só encontram competição
nos revestimentos orgânicos.
A comparação pode ser mais facilmente realizada se
os custos forem calculados por unidade de superfície a ser
protegida. Entretanto deve-se considerar que o custo de pintura
é praticamente independente do tipo de estrutura, sendo função
direta do tamanho da superfície
a ser revestida; por outro lado, o custo da zincagem por imersão
a quente depende da relação superfície/peso
da estrutura, resultando em custos relativamente baixos para peças
de secções pouco espessas e de componentes construídos
com chapas, e em custos maiores
que os da pintura, por exemplo, para o caso de secções
mais espessas.
Os dados ora apresentados, permitem concluir que geralmente os
revestimento zincados por imersão a quente tem maior duração
que os obtidos por pintura; portanto, apesar de poderem ter um custo
de aplicação maior, podem ser mais vantajosos para
aplicação em
estruturas que exigem uma longa vida, sem necessidade de serviços
de manutenção freqüentes.
Estudos comparativos dos custos entre ambos, mostram que o custo
de zincagem sobre a pintura considerado uma vida útil de
25 anos é de 2 a 3 vezes mais barato(8).
Entretanto, a aplicação de pintura sobre produtos
zincados mostra outro aspecto, e, de fato econômico (Sistema
Duplex). Sua validade é nítida para atender a requisitos
especiais de resistência à corrosão ou aparência,
sabendo-se que uma boa pintura pode alongar a vida útil dos
produtos zincados a mais que o dobro, quando expostos à atmosferas
agressivas (C5 e C6), além de proporcionar posteriormente
manutenções fáceis e baratas.
(1) BOYD, W. K.. Corrosion of metals in the atmosphere. Ohio:
MCIC, 1974. P. 18/55
(2) PANOSSIAN, Z. Corrosão e proteção em equipamentos
e estruturas metálicas. São Paulo: IPT, 1993, VZ,
p. 427/430/488
(3) KAJIMOTO, Z. P.; ALMEIDA, N. L.; SIQUEIRA, F. J. S. –
Corrosão atmosférica de metais no Estado de São
Paulo, São Paulo, IPT, 1991
p. 59 (IPT Boletim 37)
(4) ALMEIDA, N. L.; PANOSSIAN, Z. – Corrosão atmosférica:
17 anos – São Paulo: IPT, 1999
(5) NUNES, V. N., Pintura industrial aplicada, Boletim Técnico
da Petrobrás, V. 10, nº 3 / 4, Jul. – dez. 1967.
P. 507
(6) NUNES, L. P. – Pintura Industrial – Apostila Petrobrás
e ABRACO, Rio de Janeiro, 1982, p. 111-3
(7) NUNES, L. P.; LOBO, A. C. – Pintura Industrial na Proteção
Anticorrosiva
(8) CORRÊA, Arnaldo; FERREIRA, J. D., Corrosão e Tratamento
Superficiais dos Metais
(a) Horst W. Reiche, Engenheiro-consultor contratado pelo Comitê
de Galvanização a Fogo da Abcem. |
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